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Augusto Boal, um dos grandes do teatro brasileiro
04/05/2009
O teatro brasileiro perdeu um dos seus maiores nomes: morreu Augusto Boal, aos 78 anos, dia 2 de maio, o criador do Teatro do Oprimido. Diretor reconhecido e cultuado pelo seu papel de vanguarda na arte brasileira, Augusto Boal começou a escrever seu nome na história da cultura do país ao montar o espetáculo “Opinião”, que reuniu Zé Ketti, João do Vale e Nara Leão, e a peça “Arena conta Zumbi”.
Com sua criatividade, Boal redefiniu o teatro nacional a partir de 1960. Ele tem a mesma importância para as artes cênicas brasileiras que Ziembinski, que marcou época nos anos 1940, com a montagem de “Vestido de noiva e o grupo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC).
No início dos anos 70, Boal criou o Teatro do Oprimido, associando o trabalho artístico com a consciência política, nos anos duros da ditadura militar. O Teatro do Oprimido de Boal foi fortemente influenciado pelas idéias do educador Paulo Freire e do dramaturgo Bertolt Brecht. O movimento teatral de Boal ganhou fama internacional fruto de sua militância nos paises da América Latina, enquanto durou seu exílio, de 1971 a 1984.
Boal estudou direção teatral e dramaturgia em Nova York. Em 1956, passou a integrar o Arena e começou seu trabalho revolucionário na companhia. Ele foi o responsável por trazer ao Brasil o método de interpretação Stanislavski, que adaptou à realidade brasileira.
Sua primeira montagem com o Arena foi “Ratos e homens”, de John Steinbeck, em 1956. Com a peça ganhou o prêmio de diretor-revelação da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), aos 25 anos de idade.
Além de diretor, Augusto Boal escreveu vários livros sobre seus métodos teatrais, destacando-se “O Teatro do Oprimido” e outras políticas poéticas “,” 200 exercícios para ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do teatro “,” Técnicas latino-americanas
de teatro popular “e” Teatro legislativo “.
Outro mundo é possível
Boal recebeu muitos títulos e prêmios no Brasil em todo o mundo, como o Officier de l' Ordre des Arts et des Lettres, do Ministério da Cultura e da Comunicação da França e a Medalha Pablo Picasso, concedida pela Unesco, em 1994. Um das suas últimas participações internacionais foi em 27 de abril deste ano, em Paris, como embaixador mundial do teatro da Unesco. Sua mensagem foi a expressão da sua coerência com seus ideais artísticos e políticos: “Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida”.
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