FIA: esforço coletivo de sindicatos em defesa dos atores
8/12/2008

*Agnete Haaland

Atuar é minha profissão e o que sempre quis fazer na vida. Tenho trabalhado duro, mas também tive a sorte de ter um sindicato por trás que me proporcionou viver de minha profissão. Assim, seria natural que retribuísse o que recebi e que me conduziu a ser presidente do Sindicato na Noruega. Com o tempo, percebi os desafios que atores enfrentam ao redor do mundo e o quanto podemos apoiar uns aos outros nestes tempos de economia globalizada. Aprendi que muitos de nós trabalhamos ao redor do mundo com dedicação em condições inaceitáveis, sem respeito da sociedade, contrato, seguro saúde ou ambiente de riscos, freqüentemente sem remuneração, tendo contas para pagar e filhos para alimentar, tanto quanto o restante da sociedade. Como meu sindicato apóia a FIA, perguntei-me por que não ajudar também?

Estou muito orgulhosa e honrada de ter sido eleita presidente da FIA durante o XIX Congresso, no Marrocos, em outubro. Meu antecessor Tomas Bolme realizou um fantástico trabalho nos últimos 16 anos. Graças a ele e ao nosso dedicado Secretariado e aos Comitês Administrativo e Executivo, a FIA encontra-se hoje mais forte e unida que nunca.

A história da Federação Internacional de Atores é uma fantástica caminhada que partiu da visão de dois pioneiros na década de cinqüenta: Jean Darcante, do Sindicato Nacional de Atores Franceses, e Gerald Croasdell, da União dos Atores Britânicos. A FIA se tornou uma verdadeira organização não-governamental independente, representativa de atores em todos os continentes, sendo a voz dos atores ao redor do mundo. Representamos 100 sindicatos de atores espalhados dentre América do Norte até a Austrália, com a determinação de continuar a defender os interesses artísticos, sociais e legais dos atores, cantores, dançarinos, artistas de variedades, circo, coreógrafos e radialistas, onde quer que estejam.

Nossos associados são sindicatos e associações que trabalham duro para garantir que os atores possam trabalhar com segurança e que sejam remunerados de forma decente pela profissão que exercem dentro do sistema de exploração comercial de seus talentos. Lutam no ambiente atual de rápida fluidez, por uma previdência social adequada, equalização de oportunidades e proteção à propriedade intelectual de suas atuações.

No mundo todo, a FIA busca trazer tais valores para um nível superior, onde a máquina é intrincada, interesses nacionais e regras são negociados com o fim de adaptar a rotina de nossas vidas. A FIA não se configura apenas como um instrumento de pressão para todos nós. Trata-se, talvez, o ponto mais importante de um porto seguro para todos integrantes, muitos dos quais experimentaram diretamente a solidariedade que sempre foi a marca desta instituição. Seja enfrentando dificuldades, combatendo regimes políticos e um sem número de ocasiões.

A FIA é um esforço coletivo de centenas de sindicalistas que têm perseguido o melhor dos interesses dos atores por décadas, com dedicação, entusiasmo e visão. Durante os anos que testemunhei este trabalho, aprendi lições de cada um com quem me relacionei e que me fizeram quem eu sou: fiel adepta do pensamento de que atores desempenham um importante papel nas nossas sociedades, culturas e economias. Sou também uma defensora dos direitos dos atores em fazer de seu talento e capacidade um meio digno de viver. Como tantos outros antes de mim, é meu desejo continuar a servir o meu sindicato e a FIA e lutar pelo bem estar e oportunidades de trabalho para atores, em qualquer parte do mundo onde trabalhem.

Agnete Haaland é atriz e presidente da FIA