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Cinema não é mais a maior diversão
01/09/2008
O slogan “cinema é a maior diversão” passou a ser apenas uma frase num cartaz de propaganda. Na prática, ir ao cinema é apenas a quarta colocada na forma do brasileiro ver filmes. Primeiro vem os filmes em DVD, depois filmes na TV aberta e passeio em shoppings centers, em terceiro. As preferências das atividades de cultura e lazer dos brasileiros é o resultado da pesquisa Hábitos de Consumo no Mercado de Entretenimento, encomendada pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Rio de Janeiro ao instituto Datafolha e realizada com 2.120 pessoas em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília.
Os números sobre os hábitos de cultura e lazer preferidas da população brasileira são bastante reveladores: filmes em DVD (20%), filmes na TV aberta (14%), compras no shopping (10%), cinema (8%), viajar nos fins de semana (8%), jogos e competições esportivas (7%) bares (7%).A preferência por assistir filmes em DVD, 12 pontos percentuais à frente do cinema, indica um aumento desse mercado, sobretudo na venda de discos piratas. Uma faixa de 43% do universo pesquisado respondeu que costuma comprar DVDs piratas, enquanto apenas 30% disseram comprar DVDs originais.
Outro fator que afasta o público dos cinemas é o preço dos ingressos. A pesquisa mostrou que 17% consideram o preço dos ingressos muito caro; 38%, caro; 36%, nem caro nem barato; e 8% barato. Salas de cinema distantes de casa também contribuem para o brasileiro se afastar dos cinemas. O Brasil só tem 2.300 salas. Para atingirmos a mesma proporção da Argentina, um país menor em extensão e população, seriam necessárias mais de 5 mil salas.
A pesquisa mostra que 52% dos entrevistados não costumam ir ao cinema. Entre esses, os maiores motivos são falta de tempo (28%), razões financeiras (16%), comodidade de assistir filmes de outra forma (15%); ingresso caro (11%); distância das salas (7%); falta de companhia (7%); desinteresse por sair de casa (4%) e preferência por ir à igreja (4%).
Cinema brasileiro
Em relação ao cinema nacional, cuja taxa de ocupação de mercado em 2008 está num péssimo 6,9%, apenas 56% dos entrevistados declararam considerar as produções brasileiras ótimas e boas. Os filmes estrangeiros, por sua vez, foram avaliados como ótimos ou bons 72% do universo pesquisado. Só no Rio, 13% dos entrevistados disseram que os filmes brasileiros são ruins ou péssimos. Questionados sobre os motivos sobre os motivos para considerarem o cinema brasileiro ruim, 36% disseram que os filmes são pornográficos ou trazem vocabulário vulgar, 17% reclamaram da falta de conteúdo, 14% lamentaram a pouca criatividade e 10% atribuíram o fato às cenas violentas.
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