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Morre Jamelão, a voz da Mangueira
16/06/2008
“Em Mangueira quando morre um poeta todos choram”
(Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho)
A voz inconfundível que marcou os desfiles da Mangueira desde 1949 e imortalizou as canções de Lupicínio Rodrigues se calou. Morreu, aos 95 anos, José Bispo Clementino, o Jamelão, uma das maiores personalidades da verde-e-rosa e do samba.
A carreira de Jamelão começou em 1947, ao vencer um concurso de calouros da Rádio Clube do Brasil. Após passar pela gravadora Continental e pela Rádio Tupi, tornou-se intérprete oficial da Mangueira em 1949. Em 1952, entrou para a Orquestra Tabajara de Severino Araújo e fez um memorável duelo com a big band de Tommy Dorsey, na Rádio Tupi, que rendeu uma turnê européia.
Jamelão voltou para a Continental, em 1954, onde gravou clássicos como “Leviana”, de Zé Kéti, e “Folha morta”, de Ary Barroso. Em 1959, fez enorme sucesso cantando “Ela disse-me assim”, de Lupicínio Rodrigues. Em 1968, entrou para a ala de compositores da Mangueira. Em 1972, gravou o LP “Jamelão interpreta Lupicínio Rodrigues”, dedicado ao compositor gaúcho.
Defensor das tradições do samba, Jamelão criticava a substituição de sambistas por modelos e a descaracterização dos sambas-enredos. Ele não admitia ser chamado de puxador de samba. Tinha autoridade para dizer que “isso é coisa de bandido, eu sou intérprete, cantor”, princípio que nunca abriu mão. Não concordava,também, com os que o chamavam de cantor de dor-de-cotovelo. Jamelão era enfático: ”Eu canto samba romântico”.
O Brasil perde um grande artista. Um dos poucos a cultuar as raízes da música brasileira e orgulhoso de cantar as coisas de sua gente. Fica aqui o sentimento da nação mangueirense: Verde que te quero rosa e Jamelão.
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