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Falta de hábito afasta 55% dos brasileiros da cultura
08/04/2008
Pesquisa encomendada pelo Sistema Fecomércio-RJ, publicada pela Revista O Globo, mostrou que 55% dos brasileiros não foram ao cinema, ao teatro, a exposições de arte, a um show musical ou leram um livro em 2007. E o resultado mais preocupante da pesquisa foi que os motivos alegados para não participar de nenhuma atividade cultural não foram os preços altos de ingressos ou livros, mas a falta de hábito ou de interesse.
O diagnóstico desanimador dos hábitos de lazer cultural da população brasileira se confirma em qualquer faixa etária, classe social ou grau de instrução. Do total de entrevistados, 69% disseram, por exemplo, que não leram nenhum livro ano passado. A falta de hábito foi o motivo alegado por 58% dos ouvidos das classes D e E, apenas 1% a menos que os das classes A e B. “Não gosto” foi a resposta de 27% das classes D e E e 19% das classes A e B. Apenas 5% dos entrevistados que pertencem às classes D e E disseram que não lêem porque não podem pagar pelo livro. A comparação também é parecida entre os que têm o primário incompleto e curso superior.
Programa cultural mais popular, o cinema também sofre, de acordo com a pesquisa, com o desinteresse da população. Nada menos que 83% dos consultados disseram que não entraram em nenhuma sala de exibição em 2007. Novamente, o binômio “não tenho hábito/não gosto é a principal razão apontada em todas as classes sociais e graus de escolaridade. A opção “não posso pagar” ficou em quarto lugar.
O quadro apontado pela pesquisa associado ao censo cultural do IBGE, divulgado ano passado, que dava conta da carência de equipamentos culturais na maioria dos municípios brasileiros, só confirma uma situação crítica em relação ao setor no Brasil. Apenas 8,7% dos municípios têm ao menos uma sala de cinema, 21,2% têm teatros ou salas de espetáculos e 30% possuem livraria.
A cada pesquisa em relação às atividades culturais da população podemos constatar que o resultado guarda uma relação direta com a falta de investimentos dos governos em cultura, como se teatro, cinema, música e leitura não fossem vitais para o desenvolvimento de um país e o aprofundamento da justiça social.
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