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Audiovisual: Roraima vai receber do MinC R$164 para produzir cinema
28/03/2008
Acredite se quiser, mas o orçamento definido para o Estado de Roraima para produzir cinema em 2008 são inacreditáveis R$ 164. O dinheiro é proveniente da divisão entre estados dos recursos da Lei do Audiovisual, que este ano tem à disposição R$ 141,2 milhões.
Em relação a Roraima, o Acre é um privilegiado: vai receber R$ 330. Por outro lado, São Paulo o estado mais rico da federação receberá R$ 74,9 milhões. Outros exemplos da disparidade da divisão de recursos: Amapá, R$ 552; Tocantins, R$ 812. Nesta divisão nada justa do bolo, a fatia do Rio de Janeiro é de R$ 19 milhões e Minas Gerais, R$14,3 milhões.
Levantamento do jornal O Globo, que divulgou os números do Audiovisual, com R$ 164 o Estado de Roraima pode comprar, à vista, um DVD, que custa, em média, R$ 170. Mas não tem condições de comprar à vista uma TV de 15 polegadas, cujo preço está em torno de R$ 250.
O montante da Lei do Audiovisual também apresenta distorções em relação às regiões. O Nordeste teve um aumento percentual de 95%; o Sul, de 140,2%; e o Sudeste, de 162,4%. A situação do Centro-Oeste foi a pior: diminui em 50%, de 2001 a 2008.
A distribuição de dinheiro pelo Ministério da Cultura(MinC), na prática, é o contrário do discurso de descentralização defendido pelo órgão responsável pela cultura no país. Mesmo levando em conta a população menor, a pequena produção cultura, o número de profissionais envolvidos e pouca oferta de salas de exibição nada justifica os valores tão baixos para alguns estados. Como essas diferenças culturais vão diminuir no Brasil se o próprio ministério se submete a critérios econômicos e populacionais e deixa de cumprir seu papel de fomentar a cultura no país e incentivar a criatividade de sua rica diversidade regional?
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