Ziembinski, o polonês que modernizou o teatro no Brasil
10/03/2008

Na última sexta-feira, 7 de março, completaria 100 anos de vida o diretor e ator polonês Zbigniew Ziembinski, que modernizou as artes cênicas no Brasil. A montagem de “Vestido de noiva”, de Nelson Rodrigues, em 1943, foi um marco da atuação revolucionária de Ziembinski no teatro brasileiro. Ziembinski teve o mérito de “descobrir” para os brasileiros toda a dimensão dramática de Nelson Rodrigues.

Ziembinski chegou ao Brasil aos 33 anos fugindo da Segunda Guerra Mundial. O artista polonês foi responsável para que a interpretação, a cenografia e a iluminação nos palcos do país deixassem a tradição portuguesa do século XIX e chegassem ao Brasil do século XX. Foi ele quem introduziu o conceito de que o diretor dirige atores (antes, não havia essa preocupação), deu uma função cênica para a luz no palco, passou a ter uma visão geral do espetáculo e de suas cenas.

Zimba, como era conhecido na classe artística, fez modificações que mudaram a forma de levar um espetáculo ao palco. O teatro no Brasil antes de Ziembinski tinha caixa de ponto (de onde uma pessoa ditava o texto para os atores), as luzes eram uma vara de lâmpadas, e o elenco fixo se revezava. Ziembvinski passou a escalar o elenco de acordo com cada personagem, colocou refletor em vez de lâmpadas e pôs todos os atores dizendo o texto de cor.

Ziembinski, que morreu 1978, deixou sua marca também na TV. Até hoje ele é lembrado pela interpretação de uma senhora polonesa na novela “O Bofe”. O método Ziembinski, equilibrando técnica com expressividade, ainda hoje influencia a TV brasileira.