Autoridades não se entendem e Dulcina continua abandonado
18/02/2008

Reportagem publicada no Segundo Caderno do Jornal O Globo, de 13 de fevereiro, assinada pela jornalista Alessandra Duarte, trouxe à tona o descaso das autoridades culturais do município e federal com a situação lastimável em que se encontra o Teatro Dulcina. O Boca de Cena, Jornal do SATED-RJ, já havia denunciado o problema do Dulcina na sua edição de novembro de 2007.

Na matéria, o Boca de Cena informava que o SATED encaminhara ofício ao ministro da Cultura Gilberto Gil, datado de 22 de agosto do ano passado, expondo o quadro de degradação das instalações do teatro; propunha um projeto alternativo para o espaço e arrendamento por três anos para o sindicato administrar o local. Mesmo depois da reportagem do Jornal O Globo, o SATED não recebeu nenhum tipo de resposta ou satisfação em relação ao ofício de Jorge Coutinho, presidente da entidade.

Jogo de empurra

A matéria do Jornal O Globo esclarece que o presidente da Funarte, Celso Frateschi, vai processar a prefeitura exigindo que ela pague os custos pela reforma do teatro, devolvido ao governo federal em péssimas condições. Em resposta ao presidente da Funarte, o secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira, alegou que a falta de recursos próprios e de patrocínio da iniciativa privada fez com que a prefeitura não realizasse nenhuma obra no Dulcina.

Um órgão diz que vai processar, o outro diz que não tem verba. O jogo de empurra entre os governos federal e municipal está instalado. Precisou de uma denúncia de jornal para que as chamadas “autoridades” do setor falassem do assunto. Além do desprezo pelo bem público (a situação do Dulcina prova isso), ficou claro também a forma arrogante como o MinC tratou o SATED neste caso. Essa postura desrespeitosa ao SATED é uma contradição partindo de um governo vinculado aos trabalhadores e uma afronta à história do presidente Lula que iniciou e construiu sua carreira política com líder sindical.

Vamos torcer agora para que os interesses da cultura e da cidade do Rio de Janeiro prevaleçam. Que as picuinhas administrativas e políticas sejam superadas e o Teatro Dulcina volte a cumprir o papel de destaque que sempre teve na arte cênica brasileira.