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Leitura de peça e exposição de fotografias comemoram 62 anos de carreira de Ruth de Souza
15/01/2008
Nesta quarta-feira, dia 9, a atriz Ruth de Souza completou 62 anos de carreira artística. A data foi comemorada com a leitura da peça "Réquiem para Uma Negra’’, de William Faulkner, e a abertura da exposição de fotografias "Ruth de Souza – Uma Trajetória de Sucesso - 62 anos da Arte de representar”. Ruth de Souza protagonizou a leitura da peça, traduzida e adaptada por Luiz Carlos Maciel e dirigida por Milton Gonçalves. A leitura estava marcada para às 19h e a abertura da exposição às 20h30, no Centro Cultural da Justiça Federal, na Av. Rio Branco,241,Cinelândia.
A exposição vai até 8 de fevereiro, de 3° a domingo, de 12 às 19h. Os dois eventos foram promovidos pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Rio de Janeiro (SATED-RJ), o Centro Cultura Dercy Gonçalves (CCDG), o Centro Cultural da Justiça Federal e a Secretaria Especial para Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).
Ruth de Souza: uma das damas da dramaturgia nacional
São 62 anos de carreira vividos nos palcos de teatro, estúdios de televisão e sets de filmagem. Ruth de Souza viu nascer o cinema nacional, com as companhias cinematográficas Atlântica e Vera Cruz.
Atuou nas primeiras radionovelas do país e nos teleteatros das TVs Tupi (Rio) e Record (SP), precursores das novelas de televisão, na década de 50. Também integrou o elenco de atores que participaram da fundação da Rede Globo, onde conta 30 anos de trabalho. Sua trajetória soma uma infinidade de filmes, peças de teatro, novelas, minisséries e seriados.
Primeira brasileira a ser indicada para um prêmio internacional - o de melhor atriz, na edição do Festival de Veneza de 1954 , pela atuação em Sinhá Moça, Ruth de Souza disputou o Leão de Ouro com monstros sagrados do cinema mundial. "Concorri com Katharine Hepburn, Michele Morgan e Lili Palmer, para quem perdi por dois pontos. Mas só com a indicação já me senti premiada", lembra.
”Ser negro não é desculpa para nada”
"O que sempre me moveu foi a paixão pelo cinema, pelo teatro, além de muita força de vontade e determinação", diz Ruth, lembrando que, na época em que começou sua carreira, o fato de ser negra era um grande obstáculo. "Negro não estava na moda, não fazia teatro. Mesmo assim, ganhei reconhecimento e muitos prêmios pelo meu trabalho. Por isso, insisto em dizer: temos que acreditar em nós mesmos e seguir em frente, porque ser negro não é desculpa para nada", ensina.
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