Pedro Mico, de Antônio Callado, encerra Ciclo de Leituras Refletindo Palmares
11/12/2007

Pedro Mico, peça de Antônio Callado, encerra o Ciclo de Leituras Dramáticas Refletindo Palmares, nesta segunda-feira, 17, às 19h, no Clube de Engenharia, na Av. Rio Branco, 124, 22º andar. O Ciclo é organizado pelo SATED-RJ e o Centro Cultural Dercy Gonçalves em parceria com o Clube de Engenharia e patrocinado pela Fundação Cultural Palmares(MinC).

O Ciclo Refletindo Palmares propõe uma discussão sobre a problemática do negro na sociedade brasileira. Com o Ciclo, as entidades querem também prestar um tributo a André Rebouças, engenheiro negro que deu grande contribuição para a arquitetura brasileira durante o Império e a luta em prol da Abolição.

Direção:
José Sisneiros

Elenco:
Isy Carvalho
Toninho Pereira
Adriana Medeiros
Lúcia Talabi
Kal Freitas
Pedro Fagundes

PEDRO MICO (Sinopse)

Representação externa e interna de um barracão no morro da Catacumba, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. O barracão se ergue encravado no barro, reforçado por estacas, como uma casa lacustre. No primeiro plano e pela direita, um caminho de barro circunda a casa.

No interior do barracão, único cômodo, naturalmente, todo o mobiliário de uma favela está acumulado: a lata de gasolina de carregar água, cama, fogão, mesa de pau com bancos. No canto do fogão, prateleiras com louça etc. Mas se sente que o dono da casa é um dândi e um grande leitor dos jornais. Os jornais estão por toda parte. Na parede há um grande espelho e numa prateleira ao pé do espelho há dois pentes, brilhantina, escova e pasta, água-de-colônia.

Num armário feito de caixote penduram-se uma roupa de panamá branco, outra de brim claro, um terno de sarjão azul-marinho, e, num barbante que passa diante das roupas, muitas gravatas, todas de cetim lustroso e cores vivas. O armário não tem porta. No chão do armário estão três pares de sapatos, de bico exageradamente longo, um vermelho, um bicolor e um de couro de boi, marrom e branco.

A porta da rua é na parede do fundo, mais para a direita. Na parede da esquerda, bem visível, há uma janela fechada com uma tranca de madeira. Quando o pano se ergue, o espectador vê toda a cena em silhueta contra um céu claro, de noite de lua e estrelas. Uma mulher e um homem vêm de braços dados pela esquerda, passam pela frente do palco e sobem o caminho à direita. Ouve-se a porta de pau abrir, ilumina-se o barracão. A luz é de um lampião de querosene em cima da mesa. MELIZE está adormecida, sentada à mesa, um livro diante dela. Entram APARECIDA e PEDRO MICO.