Greve dos roteiristas sacode indústria do entretenimento americano
12/11/2007

Primeira greve de roteiristas da indústria televisa e cinematográfica americana nos últimos 20 anos, que ameaça paralisar a produção de séries como “24 horas” e “Lost”, está mexendo com o milionário mundo do entretenimento dos Estados Unidos. A briga dos escritores é pelo aumento dos direitos autorais sobre o lucro das redes de TV e estúdios de cinema. O sindicato da categoria quer que o mínimo pago por cada show seja de 3% do lucro obtido com a atração a ser exibida. Quatorze estúdios estão parados e os talk shows diários já foram atingidos. As empresas estão apelando para reprises.

Com a modernização das mídias, a indústria audiovisual de entretenimento passou a incorporar a Internet, iPods e celulares, aumentando o lucro dos grupos de comunicação. Esse é um dos pontos de insatisfação dos roteiristas, que não ganham nada com essa nova frente de distribuição das grandes redes.

A última greve da categoria aconteceu em 1988, durou cinco meses, levou a dezenas de demissões e causou prejuízos calculados em US$ 500 milhões. Um dos medos dos grandes produtores com a greve é que a paralisação quebre o hábito dos espectadores diante das TVs. Na greve de 1988, a audiência caiu por causa da incerteza em relação à programação e nunca mais voltou a ser a mesma.

Mesmo sob a ameaça de uma drástica redução de custos e muitas demissões, os sindicalistas têm consciência que a greve é justa por causa dos próximos 20 anos. Na opinião deles, é o momento e hora de definir qual será a participação dos autores na indústria que está começando a dar lucros via Internet.

Aos roteiristas americanos, a solidariedade do SATED-RJ. Apesar de todo o poderio econômico e político dos estúdios de cinema e redes de TV, os escritores americanos lutam abertamente por seus direitos. Os grandes grupos de entretenimento são rápidos e eficientes em globalizar sua programação e aumentar os ganhos, mas não querem distribuir os lucros com os que criam as histórias e mobilizam milhões de espectadores.

Os escritores americanos estão reescrevendo o roteiro dos direitos autorais nos Estados Unidos. Torcemos que essa história tenha um final feliz.

Acompanhe o desenrolar do movimento grevista clicando no site do Screen Actors Guild: www.sag.org