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A vida nada cor-de-rosa das mulheres no tráfico
30/10/2007
Um dos pilares na construção de uma sociedade mais justa sempre foi a possibilidade das pessoas terem as mesmas oportunidades, principalmente no que diz respeito à educação e o trabalho. Neste início de século 21, as diferenças ente homens e mulheres no Brasil diminuíram consideravelmente, apesar de estarmos longe do ideal. Temos mulheres governadoras, senadoras, executivas de grandes empresas e intelectuais renomadas. As mulheres já são maioria nas universidades e chefiam metade das famílias de baixa renda. A presença das mulheres é notada nos mais diversos setores do mercado de trabalho.
Mas essa situação animadora contrasta com um quadro perverso divulgado pelos jornais O Globo e Extra: 20% dos postos na hierarquia do tráfico de drogas nos morros cariocas são ocupados por mulheres. Os números e a triste realidade em que vivem essas mulheres estão no livro “Falcão, mulheres e o tráfico”, de Celso Athayde e MV Bill, continuação do projeto “Falcões-os meninos do tráfico”, que teve grande repercussão de mídia. As mulheres relatadas no livro desempenham todas as funções nas bocas-de-fumo, que vão de donas do negócio, seguranças dos chefes do tráfico, preparo a venda das drogas.
Na época que foi lançado, o documentário “Falcões” gerou ampla discussão, o mesmo que está acontecendo com o filme “Elite da Tropa”. As reportagens sobre as mulheres envolvidas com drogas e violência irão pelo mesmo caminho. Os números mais recentes dão conta que apenas 1% das mulheres estão nas prisões. A violência sempre está associada a homens jovens na faixa de 15 a 25 anos. Será que o “mercado de trabalho” que se abre agora para as mulheres já é fruto da falta de reposição de rapazes que morrem muito cedo nos confrontos com a polícia? Ou, por outro lado, a vida dura dos morros está embrutecendo as mulheres a ponto de partirem para esse tipo de atividade?
O que mais preocupa é que essa realidade, que agora envolve as mulheres, é fruto de pesquisa em 20 estados. É um fenômeno que se espalha pelo Brasil inteiro. Passado o tempo de debate, de indignação e de espanto das autoridades, a questão seguirá seu destino normal que é o esquecimento. Até que outro cineasta, escritor ou jornalista venha mexer com nossas feridas sociais.
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