Paulo Autran, o rei dos palcos
12/10/2007

É muito comum depois da morte de uma grande personalidade artística ouvir a opinião generalizada dizer que “a arte no Brasil ficou mais pobre”. Na verdade, é um lugar comum, quase sempre descolado da realidade. É o velho hábito de se desvalorizar alguma coisa com a intenção de ressaltar outra. Muito pelo contrário no caso de PauloAutran, que morreu dia 12, em São Paulo, aos 85 anos, 60 deles dedicados ao teatro. Com Paulo Autran o teatro ficou muito mais rico, a dignidade do ator brasileiro mais elevada, a arte de representar ganhou status e respeito.

É esse legado que tem de ser ressaltado e lembrado. A partir da história construída por Paulo Autran no teatro brasileiro estão dadas as condições para as próximas gerações se espelharem e continuarem o trabalho. O teatro não ficou mais pobre no Brasil com a morte de Paulo Autran, mas aumentou a responsabilidade dos que ficam de manter o nível e a qualidade vivenciada por ele.

Para um artista conseguir atingir a dimensão de um mito na sua arte ele teve que ser acima de tudo um ser humano sensível capaz de emocionar a si e a platéia; conseguir encarnar, refletir e expressar a mazelas e grandezas humanas. Paulo Autran chegou a esse estágio. Por isso era considerado o maior ator do Brasil.

Paulo Autran não era escravo de um gênero teatral. Fazia com desenvoltura tanto Shakespeare como Molière. Tinha no currículo vitorioso 90 peças, 21 filmes e 8 trabalhos na televisão, entre novelas e especiais. Reinou nos palcos durante décadas.

Os artistas brasileiros aplaudem de pé a saída de cena de Paulo Autran.